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Bonito ou feio?

Por Marly T. de Mello Oliveira - Psicopedagoga Institucional

Você já ouviu alguém falar que uma pessoa é bonita por dentro? O que isto quer dizer? Que a pessoa é feia?

O bonito e o feio, se pensarmos bem, rege nossas vidas. Principalmente as mulheres, querem sempre estar lindas e por isso se arrumam, capricham na maquiagem, frequentam a academia, fazem cirurgia plástica.

O psicólogo Maier Augusto dos Santos comenta que olhar as pessoas como “bonitas” ou “feias”, além de ser injusto, é medíocre, pois o ser humano é muito mais e beleza vai além de ter um corpo sarado, sem gordurinhas. Há pessoas fisicamente belas com atitudes feias, ou que vivem em função dessa magia do belo valorizado socialmente. O que importa é a característica mais importante do ser humano, a singularidade. Ninguém, absolutamente ninguém, é igual ao outro.

E a criança, é bonita ou feia? Aqui estamos falando do mesmo assunto, porém o problema é bem mais sério. A criança está crescendo, se preparando para o futuro e precisamos de qualquer maneira elevar sua autoestima para que ela se dê bem na vida, sinta-se amada.

Na escola, quando a criança é bonita, atrai sem querer o olhar de todos. E se ela não for? Será que vai ser menos olhada, menos elogiada, menos tocada? Vai precisar desenvolver outros atributos como inteligência, simpatia, bom humor?

Todas as crianças são lindas. Todas têm uma característica especial, seja o olhar, o sorriso travesso, o jeitinho de ser.

Ame o seu filho como ele é.

O amor dos pais deve ser incondicional e o seu filho, sem dúvida nenhuma, é o mais bonito do mundo!

Repetir para não esquecer

Por Marly T. de Mello Oliveira - Psicopedagoga Institucional


 Você já notou como seu filho adora repetição?

Quando a criança é pequenina, joga vinte vezes o brinquedinho no chão para você pegar e dá muitas risadas quando você repete o gesto. Isto acontece porque é na repetição que a criança aprende melhor e começa a reter as informações por tempo mais longo.

Já notaram como as crianças falam “De novo!”? Pois repetir alguma conquista, como descobrir como funciona um brinquedo, faz com que a criança curta o que conquistou.

Lembro-me bem quando meu marido gravava para minhas filhas seus filmes preferidos. Elas assistiam por muitas vezes, até decorar as falas!

O mesmo acontece com as músicas infantis.  Cantar para a criança é excelente e não se importe se ela ficar cantando a mesma música por três dias seguidos. Para ela, isso é uma curtição.

Você pode aproveitar essa repetição para criar uma rotina na vida da criança. Quando vão crescendo, elas têm uma tendência de resistir na hora de comer ou de tomar banho. Portanto, ter uma rotina vai ajudar a ter um relacionamento alegre com a criança. Repetir uma sequência à noite, como jantar, tomar banho, escovar os dentes, historinha, rezar e cama, vai deixar seu filho bem relaxado. Você pode até perguntar o que vem depois de escovar os dentes que ele vai gritar: “Historinha!”

Rezar todas as noites com seu filho lhe dará muita segurança. Se no outro dia a criança tiver que enfrentar algo novo, como por exemplo,  seu primeiro dia na escolinha, rezar vai lhe dar redobrada confiança, pois ele vai se sentir protegido.

Na volta da escola, deixe que seu filho lhe conte inúmeras vezes o que aconteceu. Olhe bem em seus olhos e demonstre interesse genuíno. Este ato vai fazer com que seu filho acostume a lhe contar tudo e vai ser muito útil na adolescência!

Quando ele vier lhe contar algo que o deixou triste ou desagradou, mostre-se otimista e repita alguma situação que já tenha ocorrido e que acabou tudo bem.

E não custa repetir todos os dias para seu filhote: “Eu te amo!”

Brincar e guardar

Por Marly T. de Mello Oliveira - Psicopedagoga Institucional


Seu filho chega em casa da escola e deixa a mochila e a lancheira no chão. Tira o tênis e o deixa na sala perto da televisão. Tira o casaco e joga no sofá. Logo em seguida pega vários brinquedos e começa a brincar muito, como se estivesse com saudades deles no tempo em que esteve na escola.

Em cinco minutos, a sua casa, que estava tão organizadinha, virou a maior confusão.

O que fazer? Será que ter crianças é sinônimo de viver sempre na bagunça? Você já fica imaginando o futuro, com aquele quarto de adolescente onde não dá para entrar sem tropeçar nos objetos jogados para todos os lados.

Quem vai recolher tudo, você ou o seu filho?

A educadora Nancy Gartner dá dicas do que fazer no nosso dia a dia.

. Escolha um lugar para guardar brinquedos, considerando a altura da criança.

. Comece quando a criança é ainda bem pequena, assim ela terá o hábito de guardar os brinquedos no final do dia. Faça com que guardar os brinquedos seja uma atividade familiar.

. Mantenha expectativas razoáveis. Seu filho talvez não possa fazer as coisas da maneira como você gostaria, mas este é o momento adequado de ensinar e aprender.

. Seu filho pode precisar de ajuda para entender o que fazer. Divida a tarefa em etapas e diga "primeiro coloque os blocos na caixa', depois "recolha os carrinhos e os coloque na estante".

. Recompense o bom comportamento de seu filho. Quando ele guardar os brinquedos, como recompensa, compartilhe tempo extra com ele.

. Coloque um lençol no chão quando ele estiver brincando com pequenas peças. Depois é só recolher o lençol pelas pontas e recolocar os brinquedos na caixa.

. Faça da ação de recolher brinquedos um jogo: dia algo como "estou vendo um carrinho vermelho", deixe que seu filho identifique o objeto e o guarde.

. Use um relógio com alarme e jogue com ele: "quantos brinquedos você vai recolher antes que o alarme toque?". Vai ser muito divertido.

. Faça com que cada membro da família também recolha objetos na frente dele para servir de exemplo.

Deixe seu filho brincar à vontade, mas assim como há tempo para brincar, há o tempo de recolher.

Pode acontecer que um dia seu filho esteja com aquela preguiça... Cabe aqui juntar-se a ele com muito carinho e ajudá-lo a guardar tudo. Assim ele não vai considerar essa atividade chata e solitária e sempre irá se organizar, em casa e na vida.

Vestir-se sozinho

Por Marly T. de Mello Oliveira - Psicopedagoga Institucional


É sério: tenho alunos de oito anos que levantam os pés para que eu amarre o cadarço do tênis. Quando olho para meus alunos, às sete horas da manhã, vejo golas para dentro das roupas, botões fora da casa e algumas vezes até roupinhas do avesso. Coitadinhos! Eu ajudo a todos porque não é fácil vestir-se sozinho.

A especialista Manuela Minns comenta que se vestir sozinho faz parte do processo de amadurecimento da criança e é uma habilidade a ser estimulada e comemorada. Algumas atitudes são fundamentais para dar confiança e ajudá-las nesta fase de independência.

Abotoar a camisa e acertar o pé do sapato não são tarefas fáceis para os pequenos e, no começo, sempre vale uma ajudazinha. Depois, é preciso estimulá-los a fazer sozinhos.

Por volta dos dois anos, os pais devem ensinar os filhos a tirarem as roupas, meia, sapato, casaco. Elogios são excelentes meios para estimular o processo.

As meninas começam antes e mais rápido, pois elas têm uma ligação muito forte com as roupinhas, são muito vaidosas.

Os especialistas concordam que se deve deixar a criança sair com roupa de calor no frio ou vice-versa para que ela experimente e perceba quais as combinações que funcionam. Vale levar um casaco para que seu filho não pegue um resfriado.

Aqui vão algumas dicas para que seu filhinho aprenda a se vestir sozinho.

- Fazer brincadeiras: as meninas se dão bem, pois logo cedo aprendem a vestir as bonecas. Para os meninos, vale comprar roupas de super-heróis. Eles adoram! Transforme tudo em brincadeira, coloque um espelho no quarto, compre roupas com bichinhos e crie um armário de roupas bem colorido.

- Deixar que a criança escolha a roupa que deseja usar: tente mostrar a ela as roupas de frio e as de calor, mas não a obrigue a nada. Elogie sempre que fizer as escolhas certas.

- Para as crianças pequenas, escolha roupas com elástico, velcro ou que entrem nela mesmo com zíperes e botões praticamente fechados.

- Ponha as roupas sobre a cama da esquerda para a direita, na ordem que serão vestidas.

- Ensine a criança a colocar primeiro os braços nas blusas e camisetas, antes da cabeça.

- Ajude a calçar sapatos, mas deixe que ela os prenda com o velcro sempre que possível.

- Ensine truques: a etiqueta sempre fica para trás, a estampa quase sempre fica na frente, o desenho ou fecho do sapato quase sempre fica do lado de fora.

Segundo a psicanalista Silvia Martinelli Derovalle, roupa é identidade que vai sendo construída ao longo da vida e os pais devem dar às crianças a possibilidade de criar e se expressar através das roupas que usa.

Comendo sozinho

Por Marly T. de Mello Oliveira - Psicopedagoga Institucional


As mães devem deixar seus filhinhos comerem sozinhos? E a “lambança” na cabeça, rostinho, roupinhas e chão? Pois os especialistas dizem que fazer sujeira e pegar os alimentos com as mãos é fundamental para a criança.

A partir dos oito meses de vida, o bebê ganha mais coordenação motora e começa a querer comer sozinho, um aprendizado saudável e necessário. O nutrólogo Ary Cardoso conta que uma criança consegue desenvolver suas habilidades à medida que a refeição apresenta novidades, novos sabores e cores. Se a introdução de alimentos variados for gradativa, ela vai ficar curiosa a aprende a manipulá-los até conseguir comer sozinha.

Cada criança é única e seu tempo de aprendizado deve sempre ser respeitado. Em geral, com um ano e meio o bebê já consegue segurar sua colherzinha.

Veja o que a especialista Wilma Hossaka recomenda para incentivar seu filhinho a comer sozinho.

- Comer com as mãos: é fundamental para que ele descubra a textura dos alimentos.

- Brincar com a comida: assim o bebê irá descobrir como se manuseia o alimento.

- Incluir talheres: aos poucos, os movimentos das mãos se tornarão mais precisos. É hora de introduzir uma colher. No princípio, o bebê vai deixar a colher cair, não vai conseguir colocar comida na colher ou então não vai conseguir levá-la à boca. O importante é continuar tentando.

- Estabelecer uma rotina: o bebê que acorda cedo, toma mamadeira e come uma frutinha, vai ter fome quando chegar a hora do almoço.

- Usar copinhos com alças: treina a coordenação e simula o mesmo movimento que a boca do bebê faz no peito da mamãe.

- Oferecer alimentos certos: a comida deve ser chamativa para aumentar a curiosidade e a vontade de comer sozinho. Ofereça batata picada, beterraba, tomate, lascas de carne, frango ou peixe, tudo regado com um pouquinho de azeite de oliva.

- Sirva de exemplo: os bebês imitam os pais, portanto siga uma rotina e só coma alimentos saudáveis. Muito importante também é comer ao menos uma refeição com toda a família reunida.

Mãezinha, não tire esta oportunidade de desenvolvimento do seu bebê. Use um babador e tenha muita paciência com a sujeira e a bagunça!

Como lidar com perdas

Por Marly T. de Mello Oliveira - Psicopedagoga Institucional


Estamos cercados de notícias ruins por todos os lados. Nos jornais, na televisão, só ouvimos falar de guerras, conflitos, terrorismo. E este clima triste nos faz pensar sobre a morte.  E mais importante que lidarmos com ela, temos que pensar em como as crianças reagem diante da perda de alguém muito próximo.

Arnaldo Jabor comenta num artigo escrito para o Jornal O Estado de São Paulo, que a morte virou lugar- comum, um fato corriqueiro no mundo atual e que talvez haja nas matanças banais, um desejo de desvendar o mistério da morte, bem lá no fundo do inconsciente.

Há vários tipos de perdas, como a do emprego, de um amigo, do casamento.  Mas a experiência de perder alguém que amamos porque a morte o levou, é a mais dolorosa pelas quais passamos.

A psicóloga Nina Rosa Bernardino nos diz que apesar de fazer parte do nosso ciclo de vida, a morte nos fragiliza e nos assusta, pois toda perda significativa produz uma ferida emocional: dizer adeus a alguém estimado é tarefa difícil e dolorida.

E além da nossa ferida, temos que nos preocupar muito mais com as feridas que estas perdas provocam nas crianças, muitas vezes passando por essa experiência pela primeira vez.

Nina Rosa nos dá umas dicas para ajudar quem está de luto.  Em linguagem simples e direta, devemos falar a verdade para a criança quando alguém muito próximo a ela morre.  Termos vagos, tentando protegê-la da verdade, causam ainda mais confusão.

Quando a criança entende o luto dos pais, está aprendendo a lidar com seus próprios sentimentos.  Por isso, não esconda da criança que você também está sofrendo.

Precisamos ser muito carinhosos com nossos filhos que podem ter reações adversas e podem tornar-se agressivos ou até mesmo sentirem-se culpados, achando que isso aconteceu porque eles não foram obedientes.

Com muito amor e diálogo conseguiremos tirar nossas crianças dessa fase triste explicando que a pessoa querida nunca vai ser esquecida.  A fé religiosa também ajuda bastante nestas horas.

Expressando nossos sentimentos, vamos ensinar a criança a lidar com suas emoções de forma sadia.