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Ensinando a criança a enxergar o outro


A primeira infância é um período de formação da personalidade da criança que impactará durante toda a sua vida. Os sentimentos primitivos experienciados durante essa fase podem permanecer bastante fortes até a velhice de um indivíduo. Por isso, a faixa etária dos 0 aos 7 anos é uma fase de formação de caráter tão importante e delicada, uma vez que pode deixar marcas e resquícios de experiências no inconsciente de qualquer pessoa. Os pais devem estar cientes da seriedade dessa fase da vida de seus filhos, pois aquilo que lhes é ensinado pode repercutir de diversas formas quando eles atingem a idade adulta. Também, é esse o período perfeito para ensinar os pequenos sobre altruísmo, respeito e o contentamento que ajudar o outro pode trazer para si e para a formação de sua visão de mundo conforme crescem.


As crianças mais jovens, até mais ou menos 3 anos de idade, são um tanto ensimesmadas, pois ainda não descobriram que o outro é diferente e possui as mesmas necessidades e direitos que elas mesmas. É a partir daí que os pais devem atuar, tentando conscientizar seu filho sobre a importância de compartilhar e ter em conta os sentimentos alheios. Quando atingem os 5 anos de idade, as crianças já entendem que também há outras pessoas como elas no mundo e passam a ser dominadas por um senso de igualdade muito forte. Esse é o momento de reforçar a ideia de que todos somos iguais e merecemos o mesmo nível de respeito, independente das diferenças que possam nos atravessar. Aos 7 anos de idade, a relação equilibrada e respeitosa com o outro já pode ser fixada no caráter da criança de forma permanente. Assim, mesmo diante das pequenas injustiças e disparidades do dia a dia, ela será capaz de identificá-las e tomá-las como fatos contraditórios da sociedade em que vive.


Por exemplo, uma criança que avista um morador de rua geralmente fica tocada ou questiona aquela situação, já que não possui um entendimento sobre desigualdades sociais que existem em nosso país e em nosso mundo. Aos pais, cabe uma resposta que seja produtiva, tal como: “a vida e a sociedade são injustas, existem pessoas que não têm nem casa e você vai se deparar com isso muitas vezes. Mas essas pessoas merecem o mesmo respeito que nós”. Muitos pais, ao avistarem um mendigo, acabam apenas ignorando-o e fazendo com que a criança também absorva esse tipo de comportamento, ainda que ela inicialmente questione os motivos daquela situação. Isso cria um senso de egoísmo velado, muito prejudicial à formação dos pequenos e à sociedade em que viverão no futuro.


Não devemos ensinar nossas crianças a ignorar o outro que lhe é diferente, qualquer tipo de outro ou de diferenças, mas sim, respeitá-lo e entendê-lo, como também, aceitar essas diferenças. É difícil pensar num futuro melhor quando nós mesmos tentamos ignorar os problemas do mundo ou escondê-los de nossos filhos.

Ensinando as crianças sobre a reciclagem de lixo


É de pequeno que se aprende sobre as coisas essenciais que devem ser levadas para toda a vida. Por isso a importância de naturalizar desde cedo nas crianças os benefícios e a necessidade de reciclar o lixo. Além de preservar a natureza e garantir um futuro melhor para o planeta, a partir desses conhecimentos, o pequeno adquire um senso de responsabilidade com relação ao seu meio que carregará para todos os lugares em que estiver.


O Brasil ainda não possui uma estrutura de reciclagem de lixo muito desenvolvida. Apenas 3% do lixo produzido em nosso país é reciclado, por falta de investimentos nesse setor. Sabemos que o investimento só vem quando a demanda existe, por isso, uma sociedade educada para reciclar irá pedir por esse tipo de serviço na região onde mora, justamente pelo conhecimento que possui sobre a sua importância. Assim, a melhor forma de desenhar um futuro positivo para a reciclagem de lixo em nosso país é conscientizando as novas gerações desde cedo sobre o assunto.


Normalmente, as escolas possuem programas de instrução sobre a reciclagem, mas cultivar esse hábito dentro de casa também é responsabilidade dos pais. É preciso sempre separar o lixo orgânico do reciclável e os pequenos precisam ter noção sobre cada tipo de resíduo, assim como, também participar do processo. Levar óleo vegetal e resíduos eletrônicos para os locais especializados de coleta e ter noção da destinação final de cada item descartado.


Outra dica é sempre incentivá-los a reutilizar embalagens e materiais. Por exemplo, nada de trocar de material escolar todo ano: aqueles cadernos, lápis, borracha, canetas que ainda estão em uso devem continuar. As crianças precisam ser desestimuladas a consumir mais do que precisam, contrariando aquilo que elas aprendem em sociedade ou o que é mostrado na televisão. Não é preciso milhares de bonequinhos de plástico e presentes a toda hora. Reduzindo o consumo, reduz-se o lixo.


Com o intuito de reutilizar materiais recicláveis, os pais podem estimular as crianças a confeccionar seus próprios brinquedos e utensílios, como sempre postamos no blog os DIY utilizando itens desse tipo. Isso ajuda a desenvolver a criatividade, as habilidades manuais e a cognição, além de transformar o lixo em arte. Incutir nos pequenos a responsabilidade de cuidar do meio ambiente é uma lição essencial da infância.

A ansiedade infantil diante do fim das férias


As férias de meio de ano terminaram, fazendo com que as aulas e a rotina de estudos voltem a ser a prioridade. O tempo livre para brincadeiras diminui e os deveres aumentam. Isto pode gerar certa tristeza nas crianças. A quebra da rotina livre que se vê mais uma vez repleta de afazeres escolares ou extracurriculares pode criar um choque, entristecendo ou sobrecarregando os pequenos. Esses sentimentos geralmente são derivados de uma possível ansiedade que a criança pode sentir ao confrontar-se com aulas e atividades novas, diferentes daquelas com que estava acostumada no semestre anterior.


Por isso, é preciso ir com calma nestas primeiras semanas de retomada. Primeiro, organizando um planejamento da rotina da criança e mostrando a ela como tudo será feito. Ao saber de antemão sobre a programação dos próximos dias, reduzem-se as chances da ansiedade de voltar para aula e aprender coisas novas. Da mesma forma, o planejamento reforça a ideia de que o fim das férias não é algo tão chato. Afinal, na escola, o pequeno irá rever seus amiguinhos e brincar com eles diariamente durante o recreio. As novas matérias dadas também poderão ser repassadas de antemão, para que ele saiba o que irá aprender e como isso também será mais um aspecto positivo da nova rotina.


Quanto às atividades extracurriculares, como aulas de línguas estrangeiras, artes ou esportes, é preciso que a criança as encare como alicerces para a sua formação. Mas também é importante que os pais não sobrecarreguem seus filhos com muitos compromissos. Crianças precisam de tempo para brincar, pois é através deste ato que elas descobrem e criam significados subjetivos para o mundo com o qual estão aprendendo a lidar: para isso serve a infância, não só para aprender formalmente e preparar-se para a vida adulta, mas principalmente, para dar vazão àquilo que as crianças descobrem sobre o mundo através da brincadeira.


Portanto, nestes primeiros dias de aula, sente com seu filho e mostre para ele o que lhe espera neste próximo semestre. Interaja diariamente com cuidado, interessando-se sobre os novos desafios escolares e extracurriculares pelos quais ele irá passar e tente diminuir a ansiedade que pode ser gerada a partir do confronto com o novo. Além deste apoio dos pais, o pequeno também precisa de tempo livre para a brincadeira, pois é justamente através dela que ele dará vazão a possíveis sentimentos de desconforto com relação ao fim das férias. Contudo, é importante que ele saiba quais são esses sentimentos e o que os gera, daí a importância do apoio dos pais nestas primeiras semanas.

Os 3 excessos presentes na infância moderna


Diferente do tempo de nossos avós ou até mesmo de nossos pais, atualmente as crianças contam com uma infinidade de opções, escolhas e de informações que mudam e se renovam cada vez mais rápido. Também, a quantidade de desejos por coisas e a insistência dos pais em sempre mantê-las ocupadas pode prejudicar seu desenvolvimento psicológico fazendo com que, parcialmente, vivam sua infância sem a possibilidade de realmente serem crianças e aproveitarem essa fase de maneira benéfica.


Por exemplo, os excessos de atividades extracurriculares normalmente estabelecidas pelos pais como pontos positivos para seu desenvolvimento futuro acabam tornando-as pequenos adultos em treinamento, desperdiçando um tempo precioso que deveria ser disponível para que brincassem livremente e estimulassem o desenvolvimento de sua imaginação e criatividade, fazendo com que se relacionassem de maneira saudável com o mundo a sua volta.


Pode-se dizer que são principalmente três os principais excessos particulares à infância de uma criança capazes de prejudicá-la:

  1. Excesso de coisas: a necessidade que se instaura pela quantidade de presentes que ela normalmente ganha, a vontade que nunca passa despercebida, por exemplo, dentro do supermercado quando vê aquele doce colorido que lhe chama atenção ou, na escolha do material escolar, em que a capa de caderno de determinado personagem sobressai-se à função mesma de um simples caderno. Todos esses desejos superficiais criados em grande parte pela publicidade voltada às crianças devem ser monitorados e repensados pelos pais na hora de comprar qualquer item a seus filhos ou de ceder a seus desejos que, do ponto de vista prático, podem ser considerados supérfluos. É preciso ensinar as crianças a valorizarem o que possuem e o que podem ter, não apenas o vazio daquilo que é desejado.

  2. Excesso de opções: mais uma vez, um excesso intimamente ligado ao desejo incitado pelo excesso de coisas formuladas e pensadas exatamente para criar desejo no público infantil. Talvez, seja melhor não levar a criança junto no momento da compra do material escolar ou esclarecer a elas, antes de uma ida ao supermercado ou shopping, que só determinado brinquedo ou vontade poderá ser realizado naquele momento, estabelecendo limites prévios a qualquer possível pedido.

  3. Excesso de informações: a ideia de que a infância se tornou um tempo de pré-formação para um adulto mais competente e que obtenha sucesso no futuro acaba tirando dessa época tão importante o seu sentido primeiro: o da descoberta do mundo através dos próprios olhos da criança e de sua interação lúdica com o meio, principalmente através da brincadeira. Uma criança precisa de muito pouco para passar a entender os significados do meio em que vive e de seus relacionamentos com o outro. A brincadeira é o meio mais eficaz para isso, é uma imitação de mundo mágico que estimula a criatividade e internaliza sentimentos e conceitos importantíssimos para o seu crescimento e desenvolvimento psicológico saudável. A brincadeira deve também ser vista como uma forma de aprendizado tão ou mais importante quanto um curso de inglês, o aprendizado de um instrumento musical ou a prática de um esporte.

Portanto e principalmente: o pequeno precisa de tempo para brincar e explorar o mundo à sua maneira, ou seja, ser propriamente uma criança vivendo sua infância.

Como a jardinagem estimula o aprendizado das crianças


A jardinagem é uma atividade educativa e lúdica muito indicada para o desenvolvimento cognitivo das crianças. Também ajuda no aprendizado de conhecimentos básicos sobre ciência e biologia. O processo de ver uma planta crescendo incita nas crianças questões como “por que as plantas precisam de Sol? ”, “como elas ‘bebem’ água? ”, “por que as minhocas fazem bem para as plantas? ”. Depois, é possível também causar indagações sobre a composição do solo e a fotossíntese.


O crescimento da planta na medida do tempo também pode ajudar as crianças a desenvolver seus conhecimentos matemáticos: a cada semana, o quanto a planta se desenvolve em centímetros, quantas flores um broto ou semente pode desenvolver, como seu caule vai se dividindo em mais caules e assim por diante.


Cuidar do desenvolvimento de uma planta desde seu broto ou semente também contribui para elevar a disciplina da criança. É como se ela tivesse um serzinho que depende dela para crescer e tornar-se forte. Uma forma de valorizar e encarregar-se de uma vida que surge e permanece diante de seus próprios cuidados.


Outra maneira de potencializar a experiência da jardinagem para os pequenos é fornecendo-lhes livros sobre o assunto. Existem vários títulos infantis disponíveis para esse aprendizado. Também, uma boa ideia é tirar semanalmente uma foto da planta e compará-las depois em conjunto, para que a criança tenha uma visão macro de como se dá o início e o desenvolvimento de uma vida.


Não importa se você mora em apartamento ou se não tem espaço suficiente para um belo jardim. Um ou dois vasinhos já podem despertar todos esses conhecimentos e sentimentos nos pequenos. Basta um cantinho arejado e que bata Sol durante um período do dia. O melhor é pesquisar o tipo de planta mais adequado para o espaço que você dispõe em sua casa. A jardinagem é uma atividade que desperta nas crianças o sentimento de proteger o meio ambiente, algo urgente para nosso planeta e para garantir o futuro saudável das próximas gerações.

Formas de desenvolver autocontrole de seu filho


Atualmente, é cada vez mais difícil poder ensinar a uma criança a desenvolver seu autocontrole emocional. É só pensarmos em como funcionam os tempos modernos: com a popularização de aparatos ligados à Internet, é muito fácil termos informações, objetos e nos comunicar de forma instantânea, tudo parece estar a um click de distância.


No entanto, a realidade é diferente. Nem sempre podemos ter ou fornecer aos nossos filhos aquilo que queremos e aquilo que eles querem. A maneira como o consumo é estimulado com uma publicidade infantil também faz com que as crianças cada vez mais desejem itens supérfluos como se fossem necessários. Quanto mais facilmente as coisas são oferecidas e alcançadas, maior a frustração quando algo não é imediatamente possível ou leva certo esforço e tempo para ser conquistado.


Então, nessa explosão de rapidez e necessidade ligadas à nossa forma de vida moderna, como ensinar nossos filhos o autocontrole emocional, disciplina e paciência?


Crianças não nascem com o dom da paciência, esta é uma habilidade que precisa ser trabalhada. Como dito, nossa cultura moderna nos induz a impaciência. Por isso, é importante desde cedo trabalharmos tal aspecto para um melhor desenvolvimento psicológico de nossos filhos, o que garantirá a eles um crescimento e uma vida mais saudável e sustentável quando alcançarem a idade adulta. Algumas estratégias podem ser aplicadas desde cedo na educação, de acordo com a faixa etária:


Até 12 meses de idade


Até essa idade, os pequenos possuem muito pouco autocontrole, respondendo mais a seus instintos. Os pais precisam saber identificar os sentimentos do bebê, para lidarem melhor com suas necessidades básicas. É importante sempre acalmar a criança nos momentos em que ela apresentar sinais  de estresse. E para este processo, é preciso permanecer calmo e ensiná-la por meio de seu próprio exemplo. Além disso, indique os comportamentos aceitáveis e errôneos, estabeleça os limites básicos de conduta a partir do momento em que o bebê seja capaz de compreendê-los, especialmente pelo modelo da repetição.


De 1 a 2 anos de idade


Nessa fase, as crianças vivem em seu pequeno mundinho, demonstrando fortemente seus sentimentos e necessidades. Mas isso não significa que os pais devam sempre ceder. É preciso estabelecer uma rotina para que a criança internalize seus deveres e horários, aprendendo assim a esperar e desenvolver seu autocontrole. Sempre que possível, dê a ela a chance de escolher, mas ensinando-a como escolher. Por exemplo: do que desejam brincar, qual história desejam escutar ou o que comer. Estas são chances de já estabelecer certos limites, além de fazer com que o pequeno se sinta também no controle.


De 2 a 3 anos de idade


A partir dessa idade é preciso continuar o processo de orientação sobre as escolhas da criança e respeitar sua rotina. Também, é um bom momento para exercitar sua paciência, fazendo com que aprenda a esperar. Aprender a esperar faz com que a criança perceba que não só ela tem necessidades, mas os outros também. Esperar pode ser aprendido através da brincadeira, quando um brinquedo ou videogame é compartilhado. No dia a dia, existem outras inúmeras oportunidades para isso. O importante é que os pais nunca percam o autocontrole para que possam ensiná-lo a seus filhos.


Apenas um fato importante para finalizar: as crianças que são acostumadas a terem tudo que desejam não são necessariamente as mais felizes.