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Formas de desenvolver autocontrole de seu filho


Atualmente, é cada vez mais difícil poder ensinar a uma criança a desenvolver seu autocontrole emocional. É só pensarmos em como funcionam os tempos modernos: com a popularização de aparatos ligados à Internet, é muito fácil termos informações, objetos e nos comunicar de forma instantânea, tudo parece estar a um click de distância.


No entanto, a realidade é diferente. Nem sempre podemos ter ou fornecer aos nossos filhos aquilo que queremos e aquilo que eles querem. A maneira como o consumo é estimulado com uma publicidade infantil também faz com que as crianças cada vez mais desejem itens supérfluos como se fossem necessários. Quanto mais facilmente as coisas são oferecidas e alcançadas, maior a frustração quando algo não é imediatamente possível ou leva certo esforço e tempo para ser conquistado.


Então, nessa explosão de rapidez e necessidade ligadas à nossa forma de vida moderna, como ensinar nossos filhos o autocontrole emocional, disciplina e paciência?


Crianças não nascem com o dom da paciência, esta é uma habilidade que precisa ser trabalhada. Como dito, nossa cultura moderna nos induz a impaciência. Por isso, é importante desde cedo trabalharmos tal aspecto para um melhor desenvolvimento psicológico de nossos filhos, o que garantirá a eles um crescimento e uma vida mais saudável e sustentável quando alcançarem a idade adulta. Algumas estratégias podem ser aplicadas desde cedo na educação, de acordo com a faixa etária:


Até 12 meses de idade


Até essa idade, os pequenos possuem muito pouco autocontrole, respondendo mais a seus instintos. Os pais precisam saber identificar os sentimentos do bebê, para lidarem melhor com suas necessidades básicas. É importante sempre acalmar a criança nos momentos em que ela apresentar sinais  de estresse. E para este processo, é preciso permanecer calmo e ensiná-la por meio de seu próprio exemplo. Além disso, indique os comportamentos aceitáveis e errôneos, estabeleça os limites básicos de conduta a partir do momento em que o bebê seja capaz de compreendê-los, especialmente pelo modelo da repetição.


De 1 a 2 anos de idade


Nessa fase, as crianças vivem em seu pequeno mundinho, demonstrando fortemente seus sentimentos e necessidades. Mas isso não significa que os pais devam sempre ceder. É preciso estabelecer uma rotina para que a criança internalize seus deveres e horários, aprendendo assim a esperar e desenvolver seu autocontrole. Sempre que possível, dê a ela a chance de escolher, mas ensinando-a como escolher. Por exemplo: do que desejam brincar, qual história desejam escutar ou o que comer. Estas são chances de já estabelecer certos limites, além de fazer com que o pequeno se sinta também no controle.


De 2 a 3 anos de idade


A partir dessa idade é preciso continuar o processo de orientação sobre as escolhas da criança e respeitar sua rotina. Também, é um bom momento para exercitar sua paciência, fazendo com que aprenda a esperar. Aprender a esperar faz com que a criança perceba que não só ela tem necessidades, mas os outros também. Esperar pode ser aprendido através da brincadeira, quando um brinquedo ou videogame é compartilhado. No dia a dia, existem outras inúmeras oportunidades para isso. O importante é que os pais nunca percam o autocontrole para que possam ensiná-lo a seus filhos.


Apenas um fato importante para finalizar: as crianças que são acostumadas a terem tudo que desejam não são necessariamente as mais felizes.

Como o afeto dos pais constrói a autoestima da criança


Todo pai e toda mãe quer criar um filho que ame a si mesmo, mas que também seja capaz de reconhecer seus erros e defeitos. O ideal é sempre buscar o equilíbrio entre entender qual o seu real valor, ao mesmo tempo em que seja capaz de enxergar o outro e o valor que também lhe cabe. Na infância, a forma como os pais incitam ou não a capacidade de seus filhos em olharem e atribuírem valor para si mesmos pode afetar fortemente na formação de sua personalidade. Como os pais lidam e tratam a criança e como eles mesmos se portam em frente a ela são fatores que afetam demais o adulto que ela irá se tornar.


Como pais, sempre procuramos fazer com que nossos filhos estejam seguros, saudáveis e felizes. Todavia, é também importante que façamos com que eles se sintam confiantes e capazes de reconhecer suas capacidades e qualidades. Ser um pai ou mãe afetuoso, que abraça, beija e mantém uma proximidade afetiva de seus filhos é um dos fatores mais importantes entre aqueles que contribuem para a construção do amor próprio da criança, pois significa demonstrar seu amor parental além das palavras, além do efeito abstrato que falar “eu te amo” produz. A proximidade afetiva trazida pela demonstração corpórea ou prática de amar é talvez o fator mais relevante para estimular a autoestima de seu filho.


Assim, a rotina diária de colocá-lo para dormir ou o fato de sempre andarem de mãos dadas juntos na rua, beijos, abraços, brincadeiras, cócegas são formas de “eu te amo” cotidianas, que constroem não só uma parceria para vida, mas também uma base sólida de inteligência afetiva que sustentará toda a trajetória de seu filho. Crianças enxergam seus pais como imagens que devem espelhar. E esses reflexos deixados em suas cabecinhas permanecem por um longo tempo como modelos de conduta.

Vencendo a timidez na infância


Quando bebês, nossos filhos são como pacotinhos de alegria, entusiasmados em conhecer e descobrir mais sobre o mundo ao qual acabaram de chegar. Algumas vezes, enquanto ainda são pequeninos, podemos perceber certos traços de introversão. Mas somente mais grandinhos, lá pelos dois anos de idade é que podemos ter certeza se sua personalidade é mesmo de um introvertido ou de um extrovertido. Simplificando, introvertidos são aqueles indivíduos que são mais afetados por seu meio interno do que pelo externo, ao contrário dos extrovertidos, pessoas expansivas que mantém seu foco nas condições e pessoas do ambiente exterior onde estão.


Os introvertidos tendem a ser mais calados e tímidos. Eles não querem ser o centro das atenções, querem ficar mais quietinhos ali no canto e lidam melhor com pequenos grupos de conversa. Não desejam se destacar no meio de um grupo e falar com ele. Querem escutar cada pessoa desse grupo e, aos poucos, ir conhecendo-o. Aparentemente, nossa sociedade parece nos exigir que sejamos extrovertidos, saibamos nos destacar dentro de um grupo e o liderar. Mas não é bem assim. Cada vez mais percebe-se as vantagens de líderes introvertidos que, com menos palavras, podem ser tanto ou até mais eficazes do que extrovertidos.


De qualquer maneira, mesmo na infância, uma timidez excessiva não ajuda ninguém. Aquela vergonha do pequeno em ir a uma festinha, pedir ajuda à professora ou conversar com os coleguinhas de escola. A timidez não é culpa da criança, é só um traço de sua personalidade que pode ser atenuado ou superado. Ela provavelmente não deixará de ser introvertida, mas saberá como lidar com a timidez, respeitando os limites de sua introversão, adquirindo mais confiança e tornando-se mais sociável.


Empatia: o primeiro passo a ser tomado pelos pais é demonstrarem empatia pela timidez da criança. Empatia e não simpatia. Simpatizar com a timidez acabará tornando-o ainda mais tímido e submisso. Mas empatia significa entender a dificuldade de seu filho e, junto com ele, tentar superá-la. Ajude-o a aumentar sua autoestima encorajando-o a fazer aquilo que lhe é dificultoso. Sempre reconheça suas superações e conquistas.


Autoestima: para fortalecer a autoestima de seu filho, você precisa ajudá-lo a descobrir seus pontos fortes. Quando ele se perceber como um indivíduo cheio de qualidades, será capaz de construir sua identidade de maneira positiva, o que ajuda a atenuar a timidez. Para toda criança há uma atividade em que ela se sente confortável e que a faz se sentir bem. Descubram juntos qual é e estimule-o a praticá-la com frequência. Ver materializado nos resultados de um esporte, de uma pintura ou de um instrumento musical o seu talento ajuda a criança a se descobrir e a se gostar mais.


Encoraje a interação: quando a criança tem maior noção sobre quem é e quais são suas qualidades, a interação social fica mais fácil. É importante que ela comece interagindo com crianças de sua faixa etária, que possuam o mesmo grau de desenvolvimento e interesses. Como primeira experiência, convide os amiguinhos da escola para uma tarde de brincadeiras em casa, assim seu filho se sentirá mais confortável. Depois disso, ir à casa dos outros ou a ambientes estranhos com os mesmos colegas se tornará mais fácil.


E não se esqueça: tente não rotular seu filho como “o tímido”, ou “o mais quietinho”, isso acaba diminuindo sua autoconfiança e torna mais difícil vencer a timidez. Sempre o encoraje a socializar e ser ele mesmo em meio aos outros.

Treinando o pensamento positivo na infância


Todos os pais desejam que seus filhos sejam felizes e completos durante a vida. Que cresçam para realizarem seus sonhos e se tornem indivíduos prósperos. Mas, por melhor que seja a vida que tentamos oferecer a nossos filhos, invariavelmente, eles irão se deparar com dificuldades e nem sempre poderemos ajudá-los.


Uma das grandes armas que podemos utilizar para enfrentar melhor os problemas é desenvolver um mecanismo de pensamento positivo que nos auxilie a superar com maior leveza os problemas. Aprender a pensar positivo é algo que começa desde a infância e, por isso, algumas atitudes podem desenvolver essa habilidade nos pequenos para que eles também saibam se preservar e seguirem em frente cada vez mais fortalecidos.

  1. Ensine seu filho a controlar seus monólogos internos, aqueles pensamentos que, na medida que se tornam correntes, acabam tomando o estatuto de verdade para os pequenos. Por exemplo, uma criança que tem pouca facilidade com esportes pode repetir para si mesma que “não serve para aquilo” ao invés de mentalizar algo como “vou me esforçar até aprender”. O pensamento negativo, acaba sendo legitimado pela repetição. Por isso, é preciso saber lidar com esse tipo de auto depreciação, para ser capaz de balancear os dois lados da moeda e manter-se positivo, mesmo em situações exigentes.

  2. Lembre seu filho que manter uma atitude positiva ou negativa com relação a certos eventos da vida é uma opção dele. Permanecer com uma atitude negativa é como envenenar a si mesmo, barrar a própria força de vontade e motivação diante dos obstáculos. Desafios estão aí para serem vencidos, não para nos derrubar.

  3. Crie dentro da sua casa e da rotina de sua família um ambiente e momentos propícios para a alegria. Um cantinho da sala com brinquedos e sofás para que a família brinque junto. Um pequeno refúgio de felicidade que seja o melhor remédio para aqueles dias mais difíceis.

  4. Encoraje seu filho a praticar e desenvolver atividades que contribuam para a sua autoestima. Fazer algo de que ele goste e desenvolver esse talento faz com que a criança se sinta mais capaz de alcançar também outras coisas. Ademais, aprender um instrumento musical, uma técnica artística ou esporte também traz valiosas lições sobre determinação e disciplina.

  5. Uma ideia criativa para ajudar seu filho a lidar com pensamentos positivos e negativos é estimulá-lo a ter um diário. Assim, toda vez que algo bom ou ruim acontecer, ele pode registrar seus sentimentos no papel e, em situações futuras, tanto boas quanto ruins, voltar e perceber como era sentir-se triste antes e como isso invariavelmente vai passar. A experiência escrita faz com que ele perceba a possibilidade de amadurecimento emocional mais claramente.

Ajudando seu filho a lidar com emoções


Todo mundo que é pai ou mãe já se perguntou: por que seus filhos não param de repetir certos comportamentos mesmo depois de severas chamadas de atenção e até broncas? Por que não para de provocar a irmã mais nova? Por que teima em não fazer a lição de casa, mesmo sabendo que pode levar um castigo por isso? Nessas horas, a questão que realmente fica: será que não ando dando limites o suficiente para o pequeno? Será que devo ser mais firme com relação a esses limites e as consequências de não os respeitar?


Bom, na verdade, muitas vezes os limites e consequências estão claros o suficiente, mas a criança está um tanto atracada ao sentimento em questão: provocar a irmãzinha ou teimar que não quer ou não gosta de fazer lição de casa. Isso parece um comportamento estranho, mas pense quantas vezes nós mesmos, adultos, não ficamos aprisionados a um comportamento ruim até sermos capazes de lidar melhor com ele ou neutralizá-lo. Então, obviamente isso também acontece com as crianças e num nível mais básico de aprendizado.


Há um consenso entre os psicólogos especializados em crianças: a habilidade infantil de lidar e regular emoções — expressando-as de uma maneira construtiva e não nociva e impulsiva — é um fator decisivo para a saúde mental da criança e a forma como se formará na idade adulta.


O controle das próprias emoções faz com que a criança tenha melhoras em todas as áreas de sua vida: faz com que se concentrem mais, sejam perseverantes e se deem melhor na escola. São mais capazes de resolver conflitos com outros coleguinhas e possuem um nível menor de estresse psicológico. São mais bem-comportadas e capazes de colocarem-se no lugar do outro. Quando os pais ajudam e ensinam seus filhos a regularem suas emoções estão, na verdade, também os ajudando a construir o seu temperamento. É preciso ensinar a criança a sempre que precisar falar de um problema, que faça isso com calma e serenidade.


Mas saber regular as próprias emoções é muito mais do que lidar com o estresse ou raiva, é ser capaz de lidar positivamente com seus sentimentos. Nós queremos que nossos filhos tenham suas emoções, mas que não se deixem arrebatar por elas. Queremos que eles se sintam desmotivados, mas não ao ponto de desistir; queremos que sintam ansiedade, mas não ao ponto de ficar o dia inteiro debaixo das cobertas; queremos que sintam entusiasmo, mas não ao ponto de deixarem-se levar irracionalmente por isso.


Por isso, o aprendizado durante a infância de como lidar com as próprias emoções é tão importante. Uma criança que se sente segura de que sempre será ouvida por seus pais sobre seus problemas tende a deixar-se levar menos pelas próprias emoções, justamente por saberem que há um porto seguro para ampará-las. Quando uma criança sabe que seus sentimentos serão ouvidos e compreendidos, eles se tornam menos urgentes para ela, levando-a a controlá-los com mais equilíbrio. Por isso, o papel dos pais nesse diálogo de empatia e educação com seus filhos é tão importante. Para torná-los um adulto mais pleno e consciente de si.

A memória das crianças

Se pararmos para pensar como a nossa memória funciona, parece até engraçado. Às vezes, temos a maior dificuldade de decorar a senha nova do banco ou o CEP de casa, mas coisas inúteis, como uma musiquinha irritante de comercial da TV, são facilmente lembradas. A impressão que temos é de que nós esquecemos muito mais coisas do que retemos. No entanto, a ciência garante que nosso cérebro aprende muito mais do que esquece, pois permanece continuamente categorizando novas informações, que levam a lembrar-nos das antigas, conectando estas às novas.

Nosso cérebro está sempre buscando estabelecer padrões de informação, uma maneira de sistematizar os novos conhecimentos de forma que possam estabelecer ligações com os já armazenados e, muitas vezes, aparentemente esquecidos. Cada vez que uma conexão entre o novo e o antigo conhecimento é feita, a tendência é de que ela se fortaleça e, assim, aquela memória a longo prazo torna-se mais acessível.

Quando lidamos com crianças, vemos que sua memória de curto prazo parece muito mais poderosa do que a dos adultos. Isso é verdade: o cérebro infantil ainda está aprendendo a sumarizar seus novos conhecimentos e somente com a idade que passa a guardar o essencial das novas informações: as memórias a longo prazo. Assim, exercitar a memória durante a infância potencializará suas capacidades de armazenamento e estabelecimento de padrões de informação para a vida adulta.

Brincadeiras clássicas como jogo da memória, jogo dos sete erros ou quebra-cabeças auxiliam nesse aprendizado do cérebro de estabelecer novas conexões com conhecimentos já apreendidos. Exercícios de pergunta e resposta, palavras cruzadas e memorização de poemas ou músicas auxiliam no processo de sumarização das novas informações. Muitas atividades e joguinhos disponíveis em tablets e celulares tem como objetivo potencializar esse tipo de aquisição. Estimule seu filho a treinar a memória todos os dias: assim, ele provavelmente irá se lembrar e lhe agradecerá por isso no futuro.